Tenho um novo post comemorativo hoje: seis meses completos de postagens diárias!
Não vou dizer que foi fácil, mas também não posso deixar de dizer que foi
prazeroso. Acho que consegui criar o hábito de ver o mundo de forma diferente – sempre pensando em desenhar e como fazê-lo – seja em termos de tempo, tentando encontrar brechas na correria, ou em termos de linguagem - desenhando para não precisar pensar e outras vezes desenhando exatamente para pensar.
Há algum tempo foi preocupação minha o fato de ser mais quantidade que qualidade. Não deixo de ter a mesma preocupação ainda, mas acho que relaxei um pouco mais neste sentido, sobretudo depois de conversas informais com amigos.
Nem sempre conseguimos ser competentes, isto é fato. Se você olhar o livro de um artista famoso, vai ver que algumas pinturas, mesmo já na maturidade, também não estão bem resolvidas. O que dizer então do início da carreira? Muito trabalhos são
ruins mesmo. Andei olhando o livro do agora falecido
Lucian Freud e percebi que nem todos os trabalhos dele eram bons. Todos nós temos lá os nossos deslizes.
Neste sentido, este blog é mais explícito que muitos livros, exposições e/ou semelhantes: o que aparece aqui são os bastidores – se fosse no teatro, seriam as brigas entre os membros do grupo, o diretor xingando o iluminador, o figurinista espetando o dedo no alfinete... é o lado mais
cru da produção. Por isso parei de me preocupar tanto em fazer “bonito” (como ficou bem evidente na recente série de óleos). Acho que está sendo mais uma exposição de exercícios e o que coloco aqui é a
estranha labuta cotidiana de quem trabalha com artes visuais. Pelo menos é isso que se tornou quando propus-me a fazer postagens diárias.
Enfim, se eu começar com essas, vou escrever mais do que eu gostaria, então vamos ao que interessa: materiais.
No outro post comemorativo (dos 3 meses), falei um pouco de cadernos de desenho. Claro que depois de apenas três meses tal paixão não muda e confesso que andei adquirindo outros caderninhos (
socorrinho!), além do que cometi injustiças em não citar alguns que já tinha em mãos da outra vez e, por isso, aproveito este post para remediar as faltas.
Pra começar, cito o caderninho, ainda virgem, que a
Carol me deu há alguns anos:
capinha preta rígida com elástico laranja (dimensões 9,2 x 14 cm). Ele sempre anda na minha
bolsa de madaminha quando eu dou as minhas saídas
chiquetérrimas (!?), mas como essas saídas em geral têm caráter social, o caderninho acaba ficando de lado, porque acho meio chato sacá-lo no meio da conversa e começar a desenhar. Sobretudo quando eu estou “montada” de madaminha... :)

Outro que ganhei da
Carol e que comecei a usar muito recentemente, é o lindo
caderninho de gatinhos azuis e dourados da
Paper Blanks (também 9,2 x 14 cm). Ele é pautado e eu tenho anotado umas idéias de
autista drástica... digo, de artista plástica. Aquelas coisas que agente tem vontade de fazer, mas que não consegue porque está sem
diñaro pra comprar material (aliás, alguém teria um retroprojetor ou um projetor tracer sobrando em casa para emprestar? :P). Mas enfim, ainda estou em boas condições porque tenho caderninho bonito para anotar as idéias em vez de perdê-las no nada... :)

Outro caderno que eu ganhei foi este, também de
gatinho, mas do
Tupã (12,3 x 16,7 cm). Suas páginas são em canson creme, em gramatura provavelmente por volta dos 230, encadernação artesanal. Também permanece virgem por... dó? De usar? :)

E mais um que também ganhei do mesmo
Tupã é este, de
coraçãozinho (20,2 x 20,5 cm), encadernação artesanal em estilo japonês (tá de lado na foto - sorry).

Eu não sei dizer qual o tipo de papel do miolo – parece bem absorvente tal qual papel filtro, mas ele tem umas texturas horizontais que parecem ampliação das de um vergê; têm gramatura alta – acho que por volta dos 320. Ele está guardado pra quando eu souber mexer melhor com aquarela... :)
Agora falemos da minha impulsividade em *comprar* (
ai!) cadernos. Um que já tem aparecido poraqui com aquarelinhas é este
caderno de papel reciclado na capa e miolo de reciclado industrial, encadernação japonesa, que eu comprei na rua, perto do Metrô São Joaquim (15,5 x 22 cm).

Eu o acho bem bonitinho e confesso que o preço também foi amiguin. Mas o problema está na encadernação: a área disponível para desenho fica restrito ao lado direito da linha bege (kraft), que é onde a capa dura tem maleabilidade para abertura do caderno. Mas como a contra-capa é totalmente rígida (servindo de apoio) a área de desenho das folhas vai sendo reduzida à medida que o caderno avança, já que cada página aumenta a lombada deste ponto de maleabilidade. Bom, sei lá se a explicação foi suficiente, mas que louco vai ficar lendo esse lenga-lenga de post verborrágico, numa época de twittagens, não? :P
Outro caderno que eu adquiri recentemente só por invejinha do
Bruno Makia (
ai que feio, né), foi este caderninho
Zequenz vermelho (10,5 x 14 cm).

Ele tem design premiado com abertura de 360 graus, maleabilidade total,
tudibão. Claro que ainda está hibernando dentro da embalagem plástica original. Eu ainda nem terminei o
cadernão espiral que anda aparecendo poraqui. E olha que eu ainda fiquei cobiçando a versão maior dele, que eu vi no site (eu só achei a versão pequena poraqui).
Ainda falando em cadernão, também guardo este
blocão enorme (29,7 x 42 cm), ainda dentro do plástico original como pode ser visto na foto, que comprei quando viajei para a
África do Sul em 2009. Está pequeno na imagem, mas o preço registrado na etiqueta é de 69,99 Rands em moeda local - algo em torno de R$17,00 na época -, baratinho.

De caderninhos já chega? Pois é, mas eu vou tagarelar mais um pouco sobre materiais.
Como já tem sido visto poraqui, as aquarelinhas feitas no
caderno de papel reciclado foram todas feitas a partir deste estojinho e o pincel com carga d’água (não
“cargas d’água”, ok?) – o primeiro, lembrança do nascimento do
Artur, filho da
Lu e do
Leo, e o pincelzinho, dica do
Leo. Pois é, o Artur já está com mais de três anos e eu ainda estou usando, lentamente a aquarelinha... :)

Ah, a caneta bic do lado é só pra poder ter uma idéia da escala dos materiais.
Por último, coloco ainda as virgens telas que ganhei do
Fábio Sasse.

(novamente, a bic é só escala)
Como eu ando mexendo um pouco com óleo, elas também estão guardadinhas pra quando eu me sentir
“mais hominha” (!?!?) pra botar mão em tela.
Aliás, os papéis (os “eu acho que são”) filicoat com as pinturas em óleo também foram dados pela
Márcia e acabei com eles muito recentemente - pelo menos quero achar que fiz um ótimo uso delas.
E aqui quero deixar registrado publicamente:
esta vasta lista de amigos são os meus mecenas e obrigada a todos por isso! :D
E, claro, para finalizar este longo post, a imagem de hoje.

Ovos de codorna (tá mais com cara de ovo de Páscoa...) em óleo sobre o último pedaço de filicoat 180 (acho), 33 x 48 cm.
Commemorative Post (6 months)
Shortening the story (I'm sorry, I won't traslate all): six month of daily updates! I'm talking about my passion for sketchbooks and some materials I've been using (and some more that I hope to use).
Plus: my friends are my mecenes. Thank you very much for all of them! :)
Quail eggs, oil on filicoat 180 paper (I guess) 13 x 18.9 in.